Shot aleatório: Mudanças

De janeiro pra cá, muita coisa mudou, e olha que só se passou um mês. Comecei o ano sem ter ideia alguma do que faria em 2012. A única certeza que tinha era a de que encararia um total de 24h de provas que decidiriam praticamente todo o ano.

Dias 8, 9, 10, 15, 16 e 17 de janeiro . Seis dias acordando cedo, almoçando em horários super alternativos e pegando a estrada a fim de fazer as tais provas. Nos primeiros dias, foi a Fuvest, e eu senti uma pressão maior ainda porque era, sim, a que eu mais desejava. A Unicamp, para mim, funcionava como um plano B, mas quem me conhece sabe que eu não admitiria, mesmo com essa condição, um resultado negativo. Teve dia que eu saí confiante, teve dia que eu saí quase jogando a toalha, teve dia que eu pensei “tô dentro”, teve dia que eu pensei “tô fora”. Mas nada era certeza enquanto os resultados não saíam.

E quando eles vieram, não podia ter ficado mais feliz. No dia da lista da Fuvest, estava na praia, longe de casa e com os melhores amigos que eu poderia desejar. Só vi o resultado uma hora e pouco depois da divulgação oficial, não olhei celular e nem Facebook. Eu mesma queria ter a melhor sensação do mundo (ou a pior, dependendo do resultado). E assim foi. Fui tomada pelo nervosismo de abrir a página, mal conseguir clicar no curso e olhar várias e várias vezes para ter a certeza de que não, não estou vendo errado.  Chorei, pulei, gritei, abracei meus amigos assim que eu vi meu nome na lista. Estava lá: Camila Berto Tescarollo, jornalismo matutino na ECA-USP. Que sensação maravilhosa, indescritível. Meu esforço havia, sim, valido a pena. Nos minutos seguintes, meu Facebook foi tomado por uma movimentação nunca antes vista com tantas solicitações de amizade, notificações e veteranos me dando os parabéns e as boas vindas. A ficha estava começando a cair.

Quando cheguei em casa, dois dias depois, fui recepcionada pelos melhores pais do mundo e maiores incentivadores da minha caminhada, sempre aguentando as pessoas que insistiam em jogar um balde de água fria na minha escolha profissional porque “vocês sabem que jornalismo não precisa mais de diploma, né?”.

Depois, outra surpresa: meu nome também estava na lista da Unicamp. Claro que fiquei feliz também, mas eu sabia que não teria dúvidas de que as minhas escolhas seriam o jornalismo, a ECA, a USP.

Aliás, meu trote na ECA foi inesquecível. Jogaram tinta em mim dos pés à cabeça, bolinhas de papel e cortaram a minha camiseta. Assinei vários papéis, fiz requerimento de matrícula, ganhei camiseta no Kit Bixo, uma carteirinha provisória de estudante da USP e vários apelidos. Meus veteranos me recepcionaram muito bem, apesar de exigirem cervejas em troca, e até me deram casa pra dormir depois de  ir à minha primeira festa universitária. Foi um dia memorável.

Saí procurar casa para morar no segundo dia, e confesso que a percepção real de que grandes mudanças estavam acontecendo me assustou. Não achava que fosse fazer isso, mas chorei dentro do carro, com uma sensação misturada de medo, felicidade e angústia sobre tudo que está por vir. Aliás, eu ando meio oscilante com relação a isso: tem hora que me dá uma tristeza de ter que largar várias coisas para trás, mas aí a felicidade de estar realizando um dos meus sonhos se sobrepõe e eu transbordo entusiasmo e ansiedade. E é com essa ideia que eu quero começar meu ano na faculdade.

Se eu somasse o o ano de treineira com o ano de vestibulanda, o número de idas até a Unip seria 16, o que daria um total de 864 km  de estrada percorridos. Até agora, só fui uma vez até a ECA, nem 200 km. Esse último número, diferentemente do outro, vai crescer – e muito. Agora é oficial. A mudança começou.

“Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena.” – Fernando Pessoa

Shot aleatório: Decepções mundanas

Acho que a Fuvest escolheu bem o tema da redação ano passado. Questionou se o altruísmo e o pensamento a longo prazo têm espaço no mundo moderno. Olha, realmente, dava uma dissertação e tanto, mas, se fosse levar em conta o que presenciei hoje, defenderia que não, o altruísmo definitivamente não tem vez.

Quinta-feira, quatro da tarde, Mc Donalds do shopping de Campinas. Eu e minha avó (70 anos muito bem vividos, obrigada) estávamos indo em direção àqueles bancos com almofadas para nos sentar. Quando estávamos a praticamente um metro do tal lugar, quase nos virando para sentar, eis que chega uma menina mais ou menos da minha idade correndo, passa por entre nós e senta primeiro no banco… e ainda nos olha, estampa um sorriso carregado de orgulho e grita para a mãe “Consegui!”.

Bom, menina, realmente não sei o que você conseguiu. Com certeza, conseguiu mostrar suas habilidades de corrida com obstáculos e de velocidade, porque, olha, nós estávamos praticamente sentando e você ainda assim chegou antes. Conseguiu provar também que respeito talvez não esteja na lista das coisas que sua mãe preza e a ensine, já que, em nenhum momento, ela reprimiu sua atitude. E finalmente, conseguiu mostrar que o mundo pode ser – ou é? – um lugar nojento. Parabéns.

Shot de números: Relatório de 2011

Aproveitando o clima de final de ano, de listas, retrospectivas e compilações, o WordPress me mandou um relatório sobre o que o blog teve em 2011 (feita por duendes, aham). Fiquei feliz com o que vi, e compartilho aqui, afinal, sem as visitas, o Shots não seria nada. Espero que, em 2012, o número de posts aumente, assim como as visitas (até internacionais!) e comentários e etc. Por enquanto, um feliz ano novo especial a quem me visitou, comentou e me incentivou a escrever. Feliz 2012 e que venham muitos shots de ______ (complete aqui com o seu desejo).

Aqui está um resumo:

Um bonde de São Francisco leva 60 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 2.000 vezes em 2011. Se fosse um bonde, eram precisas 33 viagens para as transportar.

Clique aqui para ver o relatório completo

Shot de criação: Justifique sua resposta

Esse blog anda jogado às traças. Sendo sincera, eu sabia que uma hora ou outra isso iria acontecer. É bem minha cara pegar uma coisa para fazer e deixar pela metade. Não que esse blog tenha, necessariamente, uma sequência planejada. Mas, sei lá, já comecei e parei tantas coisas na minha vida, tantas vezes. Ballet, sapateado, pintura, basquete, artesanato, inglês, academia. Eu sou dessas que faz  as coisas com tanto entusiasmo no começo que não sobram energias para continuá-las por muito tempo. Até com a escola aconteceu isso. Não que eu tenha largado meus estudos, nem perto disso. Mas se eu fosse comparar o tanto que eu pegava nos livros no começo do ano e agora e colocasse num gráfico, definitivamente haveria uma queda brusca nas barrinhas. Eu ando com essa mania de pensar nas coisas como se fossem matérias de escola, acho que é por causa do vestibular. Agora que pensei: é, posso usar a desculpa que não escrevo porque estou estudando para o vestibular, mas seria uma verdadeira hipocrisia da minha parte. Bom, acho que meu cérebro deve ter armazenado, em um canto ou outro, todo o meu esforço dos anos anteriores, pois nenhuma catástrofe acadêmica aconteceu até o momento. Pelo contrário, me  surpreendi com as minhas notas e vibrei com cada vez que vi meu nome em uma listinha da segunda fase. Aproveitamento de 100% por enquanto (eu e essa mania de pôr tudo como se fosse uma aula do colégio). Agora tenho que esperar janeiro e mais um pouco para os resultados. Já estou até vendo como controlarei minha ansiedade. Pra ser sincera, acho que vou lidar muito bem (um beijo pra minha psicóloga nesse momento!). Nesse meio tempo, finjo que vou estudar e uso o vestibular como desculpa para não escrever. Se bem que comecei reclamando que não postava, e a reclamação virou post. Talvez tenha sido um paradoxo. Eu e essa mania de transformar tudo em aula.

Shot aleatório: Autorretrato

Shot de formatura: Para a paraninfa

A Wikipédia disse que História é a ciência que estuda o Homem e sua ação no tempo e no espaço, concomitante à análise de processos e eventos ocorridos no passado.  Bom, não sei se posso confiar muito na Wikipédia, mas, se fôssemos analisar nossa relação baseando-se apenas nos eventos do passado, acho que a nossa relação não seria o que é hoje. Transpondo a nossa história em uma linha do tempo, como você sempre faz na lousa, eu colocaria todo o fundamental, período em que não tivemos aula com você, na Pré-História. Ora, se a história de que estamos falando é a nossa, e a nossa começa no colegial, antes dele só poderia ter havido a Pré-História. Os tempos eram difíceis, você bem sabe. Muita pedra lascada, sedentarização e agricultura. De qualquer forma, aprendemos bastante coisa: a dominar o fogo, fundir metais, coisas que seriam úteis para os futuros incidentes que ocorreriam em sua aula.

Começo do ensino médio também começa a Idade Antiga. Nossa sala, agora mais civilizada do que nos tenebrosos tempos de fundamental, começou a se organizar em Cidades-Estado, também conhecidas como panelinhas. Após um ano e pouquinho, nos vimos na Idade Média: jogados ao léu, sem professor de história. Trevas para todos nós. Bom, mas assim como turcos otomanos tomam Constantinopla, você, com seu saltinho, toma as aulas de História.

Começava, então, a Idade Moderna. Apesar de a Idade Média ter ficado pra trás, na nossa Idade Moderna só aconteceram trevas. Provas com os maiores índices de notas vermelhas, aulas caóticas, competição de quem falava mais alto. Mas é claro que não poderia ficar por isso mesmo. O Terceiro Estado, que sofria com as notas baixas e as constantes recuperações, resolve eclodir uma revolução. A Revolução dos Sapatos. Não houve sapato que permanecesse no pé. Você foi brava, Ana, você realmente foi. Você conseguiu dar aquela aula, e deu muito bem, como é de costume. Acredito que aquele dia significou bastante para nós. Você nos mostrou que não estava lá para ser aquela professora que se separa dos alunos, que gosta de ser vista como superiora.

Bom, mas como Revolução Francesa inicia a Idade Contemporânea, é claro que a Revolução dos Sapatos também deu início a um novo período da nossa história. Aproveitando-se da invenção da imprensa das idades anteriores, também chegaram as famigeradas listas de exercícios e trabalhos quilométricos da apostila. Você não perdoa uma vírgula, Ana!

Apesar de estarmos praticamente revivendo a Idade das Trevas com o vestibular, a nossa Idade Contemporânea foi – e tem sido – realmente especial. Alguns detalhes fazem a diferença: quando você senta numa carteira e dá a aula, dá a impressão de que você desce do salto (ah, esse salto tem história…) e é uma aluna, assim como nós; sua preocupação em fazer as listas de acordo com as nossas faculdades é mais uma maneira de ver como você se preocupa com a gente, com o nosso futuro e, claro, com a nossa História. Vemos em você mais do que uma professora. A gente vê você como amiga, dessas que dá pra chamar pra ir no bar e jogar conversa fora.

Claro, às vezes precisamos de um tradutor e intérprete pra compreender termos como “cariri”, “cRasse” e “morri de catapora”, mas nada como conhecer um pouco um ao outro. Aliás, tem gente que diz que é preciso muito tempo pra se construir uma relação. Bom, Fernando Pessoa contestou isso quando disse que “O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”. Se conseguimos colocar não-sei-quantos-mil anos de história em apenas dois anos e meio, acho que foi porque nossa relação foi – e ainda é – realmente especial.

Nesse tempo, você nos ensinou a desvendar a História que já foi construída, há milhares de anos. Hoje, agradecemos pelas aulas, pelas broncas, pelas histórias, pelas tardes, pelos almoços e até pelas listas de exercícios. Agradecemos por nos mostrar o valor do passado, do presente e do futuro. E finalmente, agradecemos por ter uma pessoa como você fazendo parte da nossa história.

Em homenagem a Ana Carolina Feracin, paraninfa do 3º ano 2011.
Com carinho, Sala 22.

Shot aleatório: Confissões randômicas de um domingo chuvoso

Tenho uma tarde livre pra fazer o que eu quero. Tenho filmes pra assistir, livros para ler, seriados pra pôr em dia. Tudo o que eu amo fazer, tudo o que me dá prazer. Tudo que, há uns dias atrás, era tudo o que eu realmente queria fazer. Mesmo assim, não consigo desligar o computador. Não estou fazendo nada – absolutamente nada – de importante aqui. Fico vagando por sites aleatórios, sem nem saber o que procurar para ler ou ver, quando eu poderia estar fazendo algo bem mais interessante. Quando eu tento parar pra começar um filme, por exemplo, me dá uma agonia e eu preciso voltar aqui, mesmo sabendo que nada de novo me espera. Meus amigos brincam que eu preciso aprender a ficar longe de internet, de celular, de computador. Que saco. Essa tecnologia anda me consumindo, me prejudicando. Acho que já virou um vício. Preciso me tratar.